segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entre Amigos


Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros

sábado, 10 de abril de 2010

Definições

Saudade: é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.


Lembraça: é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.


Angústia: é um nó muito apertado bem no meio do sossego.


Preocupação: é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.


Indecisão: é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa.


Certeza: é quando a idéia cansa de procurar e para.


Intuição: é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta sorrindo.


Pressentimento: é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista


Vergonha: é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.


Ansiedade: é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.


Interesse: é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.


Sentimento: é a lingua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.


Raiva: é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.


Tristeza: é uma mão gigante que aperta seu coração.


Felicidade: é um agora que não tem pressa nenhuma.


Amizade: é quando você não faz questão de você e se empresta para os outros.


Culpa: é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.


Lucidez: é um acesso de loucura ao contrário.


Razão: é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.


Vontade: é um desejo que cisma que você é a casa dele.


Paixão: é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.


AMOR: é quando...


a paixão não tem outro compromisso marcado.


Mario Prata

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Amor

Vida
É o amor existencial.

Razão
É o amor que pondera.

Estudo
É o amor que analisa.

Ciência
É o amor que investiga.

Filosofia
É o amor que pensa.

Religião
É o amor que busca a Deus.

Verdade
É o amor que eterniza.

Ideal
É o amor que se eleva.

É o amor que transcende.

Esperança
É o amor que sonha.

Caridade
É o amor que auxilia.

Fraternidade
É o amor que se expande.

Sacrifício
É o amor que se esforça.

Renúncia
É o amor que depura.

Simpatia
É o amor que sorri.

Trabalho
É o amor que constrói.

Indiferença
É o amor que se esconde.

Desespero
É o amor que se desgoverna.

Paixão
É o amor que se desequilibra.

Ciúme
É o amor que se desvaira.

Orgulho
É o amor que enlouquece.

Sensualismo
É o amor que se envenena.

Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.

Chico Xavier